terça-feira, 30 de agosto de 2011

Jiu Wan

Jiu Wan nasceu em Foshan, província de Guangdong, China, mesma cidade que Yip Man. Jiu Wan começou a aprender com oito anos de idade sob a tutela de Jiu Jow (seu tio) e também Chan Yu Min, filho de Chan Wah Tsun. Jiu Jow aprendeu com Chan Wa Tsun, que foi 5 ª geração e também seu filho, Chan Yu Min. Sifu Yip Man aprendera com  Chan Wa Tsun mas ele também aprendeu com Leung Bik, filho de Leung Jan. Ele também começou em bem jovem, mas não aprendeu com Chan Yu Min, o filho. Chan Wa Tsun era um lutador muito bom e sendo o professor de ambos Yip Man e Jiu Jow, eles eram conhecidos por suas grandes habilidades de luta. Na linhagem, Yip Man foi 6 ª geração e Jiu Wan foi sétima geração. Naqueles anos em Foshan ambos eram funcionários do Departamento de Polícia.

Yip Man chegou a Hong Kong no início dos anos 1940 e aprendeu mais sobre Wing Chun com Leung Bik, que era o filho de Leung Jan e colega do Sifu de Yip Man, Chan Wah Shun. Aparentemente, Yip Man aprendeu a entender a teoria do Wing Chun que era subjacente às habilidades de combate que tinha dominado mais cedo. Quando ele se reencontrou com Jiu Wan, em Hong Kong o wing Chun de Yip Man estava muito diferente do que  Jiu Wan havia aprendido. Yip Man introduzido a Jiu Wan o que ele aprendeu de Leung Bik. Nos primeiros anos os alunos de Yip Man foram membros da Associação dos Trabalhadores de restaurante entre eles, sendo Leung Sheung, seu primeiro discípula em Hong Kong, Jiu Wan, seu terceiro discípulo, bem como Yip Bo Ching, Wong Shun Leung, Lok Yiu e Chu Shong Tin.


Jiu Wan estudou com Yip Man até  Yip Man falecer. Eles eram da mesma cidade e foram amigos muito próximos. A única escola de Wing Chun autorizada, a qual Yip Man que nunca oficialmente autorizou para qualquer um dos seus alunos foi a escola Jiu Wan. Yip Man ainda colocou a sua assinatura na placa sobre a escola com as palavras: "O Tradicional Wing Chun". Yip Man e Jiu Wan se socializaram juntos à noite e em jantares durante muitos anos. Os alunos da primeira geração de Yip Man não eram tão chegados como Jiu Wan era com Yip Man e, como tal, não havia muito contato com os outros estudantes.

Jiu Wan faleceu aos 52 anos, um ano após a morte de Yip Man. A história tem nos mostrado que Jiu Wan tinha um monte de alunos e eles passaram a ser muito distinto não só no Wing Chun, mas também em outras profissões, tais como os membros do departamento de polícia, incluindo os detetives e os Chefes de Polícia, bem como diretores de filmes, Atores de filmes e outras autoridades em Hong Kong e em todo o mundo.
O filho Jiu Wan, Jiu Hung Quin, ensina atualmente como seu pai lhe ensinou, além disso, o principal instrutor, estudante de Jiu Wan  era Guy Lai, seu segundo discípulo, durante aqueles anos o primeiro discípulo não ficou tanto tempo e não ensina. Outro discípulo está no Canadá agora, Fred Kwok.

                                       Ma Pak Cheung e Mestre Florentino no tumulo de Yip Man
                                       Mestre Ma foi discipulo de Jiu Wan e amigo de Yip Man.


Fontes:

AWCKRI (Ancestral Wing Chun Kuen Research Institute)
Tradição oral e escrita de  Jiu Wan
Tradição oral e escrita de Guy Lai
Tradição oral e escrita de Fred Kwok


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Programa Wing Chun



Por Allan Lee
Tradução: Douglas Ferreira

A descrição básica do programa Wing Chun contém as três formas de mãos livres Siu Lim Tau,  Chum Kiu , Biu Jee ,  Chi Sau (mãos pegajosas), e o Mok Yan Jong (Forma do boneco de madeira). Existem também as formas de armas para o Luk Dim Boon Guan (Bastão Longo) e o Baht Jam Doa (Facas Duplas). É um equívoco comum dizer que se completou a arte do Wing Chun depois de aprender o programa acima. Há realmente muito mais no Wing Chun do que apenas isso. Apenas sobre as formas, há uma forma “dummy”* adicional para os oito chutes do Wing Chun chamada Buhn Jee Jong (três postes). Também formas diversas de “dummy” para o Bastão Longo e Facas duplas devem ser treinados. E ainda, mesmo depois de aprender todas as formas e exercícios de Chi Sao, não se pode ainda alegar ter aprendido todo o sistema Wing Chun.

*Nota de tradução: em inglês, Dummy significa boneco, de “wodem Dummy”, boneco de madeira.

Por exemplo, aprender Chi Sau (mãos pegajosas) é mais um degrau que prepara para um treino de aplicação de luta. Chi Sau treina reflexo, sensibilidade, coordenação, mobilidade, e continuidade de movimentação. Chi Sau também treina o conceito de “cobertura”, o que é importante para o ataque e defesa simultâneos.
Gostaria também de salientar que as formas por si só não pode ser empregadas como são para a luta. Mesmo depois de ter aprendido todas as formas, deve-se empregar "Chahk Kuen" e "Chahk Jong". Estes dois termos significam  quebrar as técnicas e movimentos individuais contidos nas formas e recombinar-los com outras técnicas / movimentos para aplicação em combate. Além disso, Wing Chun tem métodos de treinamento especiais chamados "Dah San Jong" e "Dah Wai" que empregam as técnicas de recombinação de "Chahk Kuen" e "Chahk Jong". "Dah San Jong" significa aplicar as técnicas recombinadas em um "Boneco vivo"*. Um "Boneco vivo" é um adversário que irá atacá-lo usando diferentes técnicas, tanto de Wing Chun ou de outros estilos. "Dah Wai" é semelhante ao "Dah San Jong", a diferença é que o praticante de Wing Chun é confrontado com mais de um oponente.

* Live Dummy

As recombinações de técnicas podem parecer diferente de como elas são feitas nas formas. Isso ocorre porque as formas são apenas uma base rudimentar para o Wing Chun, assim como o alfabeto Inglês é para o idioma Inglês. Por exemplo, a letra "B" não detém significado inerente a si própria. Mas quando combinada com as letras "A" e "T", as três letras pode soletrar a palavra "BAT". Esta palavra pode conter vários significados diferentes. Se reorganizar a ordem das letras, outra palavra "TAB", com diferentes significados e aplicações, pode ser soletrada. Também é necessário destacar que nenhuma letra é mais importante que outra. Uma abordagem semelhante vale para as formas do Wing Chun. Nenhuma forma é mais importante ou mais avançada do que a outra. Ninguém pode falar Inglês só com o alfabeto por si só. Existem outros fatores que compõem uma língua, tais como vocabulário, gramática e sintaxe. Dessa forma, ninguém pode lutar em uma forma de luta, porque envolve mais do que formas.

Como "Chahk Kuen" é importante para compreender melhor a aplicação de algumas técnicas nas formas", Chahk Jong" também é muito importante para a compreensão do Mok Yan Jong (Forma do boneco de madeira). As técnicas da Forma do boneco de madeira também não podem ser aplicadas, sob a forma durante a luta. Isto porque, ao contrário de um adversário de luta, o boneco de madeira é inanimado. Embora tenha dois braços e uma perna, braços e pernas não podem se mover, mesmo quando eles são atingidos. Nem eles podem bater de volta. Segue-se, então, que a aplicação da técnica na forma deve voltar a ser diferente daquele empregado no combate real.
Muitas técnicas em aplicação de combate estão completamente além do que se pode imaginar quando se tenta interpretar as formas. À medida que começar a ver essa progressão surpreendente da forma para a luta, começamos a perceber o quão engenhosas eram as gerações anteriores de praticantes de Wing Chun na concepção destas técnicas a séculos atrás.

Além de Chahk Kuen, Chahk Jong, Dah San Jong, e Dah Wai, Wing Chun também tem muitos outros exercícios e métodos de treinamento. Embora todos se baseiem em princípios científicos, a formação atual não exige equipamentos sofisticados. Estes métodos de treinamento são por causa do desenvolvimento de Gung Lek. Infelizmente, tem havido muito esforço em mistificar este conceito. Gung Lek é um método de gerar um tipo específico de poder. Por exemplo, as pernas de um power- lifter são especificamente treinadas para levantar grandes quantidades de peso. Em contraste, as pernas de um corredor também são muito fortes, mas são treinadas mais para velocidade e resistência. Gung Lek no treinamento de Wing Chun é destinado para maximizar a potência e a velocidade das técnicas. Se a pessoa não tem a capacidade física para fazer tais proezas  técnicas, então ela tem apenas mais uma mera arte marcial. Como tal, os chineses têm um  dito marcial famoso , “Lien Kuen But Lien Gung Doh Lo Yut Cheung Hung”. Isso pode ser traduzido como Se você diligentemente praticar sua arte marcial com Gung Lek, você terá substância em seu kung-fu.

Devido as limitações de tempo, devo parar por aqui. Quando o tempo permitir, vou escrever mais sobre Wing Chun em artigos futuros. Vamos cavar mais fundo em nossa discussão de teorias e alguns dos currículos de formação. Também vamos mostrar que a explicação deve ser apoiada por aplicação prática. No próximo artigo, eu gostaria de discutir algumas teorias básicas e conceitos. Para concluir, reitero que este artigo é baseado apenas em minhas experiências e pontos de vista. Se o leitor sente que existe alguma discrepância, ou imprecisão, por favor, sinta-se livre para expressar sua opinião. Minha filosofia com respeito ao Wing Chun e como ensinar a arte, vem dos ensinamentos de meus SiFus, o falecido Yip Man, Lok Yiu e  Duncan S. H. Leung.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

encontro de Li Hon Ki com Duncan Leung (1993)


Nesta leitura você conhecerá a historia do encontro de Li Hon Ki com Duncan Leung, Mestre Li Hon Ki havia treinado com varios mestres diferentes da sétima geração como Ho Kam Ming, Ng Chang, Koo Sang, e Ng Ken Po, e somente após conhecer Duncan Leung, finalmente conheceu aquilo que chama de “verdadeiro espírito do sistema”, depois de mais de vinte e cinco anos de busca.
ao final do capitulo você encontrará ilustrações de alguns episódios deste encontro, boa leitura.

tradução: Douglas Ferreira
Fonte: Wing Chun Warrior - Duncan Leung's True Fighting Episodes


Capitulo 1

O Professor Humilhado

Virginia Beach
1993

O sapo no poço
井底之蛙
 (jing di zhi wa)
Zhuangzi (莊子, 350-286 A.C.)


   Zhuangzi foi um filósofo taoísta do Período dos Reinos Combatentes (475-221 A.C.), que usou fábulas, muitas vezes engraçadas, para transmitir lições de moral. Ele foi o principal descendente espiritual de Laozi (老子), fundador do taoísmo. O sapo no poço é um conto de Zhuangzi bem conhecido que adverte sobre a imposição de nossa perspectiva limitada sobre a vida.
 "Você está consciente”, Zhuangzi parece perguntar "da limitação imposta pela sua própria ignorância?”
veja a narração do professor Li Hon-ki, dita em suas próprias palavras, sobre seu encontro com Duncan Leung:

Eu era um fanático por artes marciais desde a minha adolescência, tenho estudado um conjunto de sistemas, incluindo vários estilos de Kung Fu. Em 1965, quando eu tinha 13 anos, comecei a aprender Zhou Jia (周家) e Hong Quan (洪拳)
Em 1968, Bruce Lee tornou o Wing Chun conhecido mundialmente, e como muitos de meus contemporâneos, eu mergulhei com entusiasmo.
Nos próximos três anos, eu aprendi com um instrutor de Wing Chun da sétima geração. Eu trabalhei duro e atingi um nível em que manipulava o homem de madeira, facas duplas e o bastão longo, Mas, eu sentia que faltava algo. Entre 1971 e 1973, estudei com mais três instrutores de Wing Chun, também da sétima geração, para garantir que eu havia aprendido tudo o que tinha para aprender.
Durante este período eu também aprendi Tai Ji Quan (太极拳), Tae Kwon Do e Karatê, o suficiente pra dizer; eu era versátil.Em 1973, ganhei a “Hong Kong Tae Kwon Do Open Championship”Em 1977, eu fui vice-campeão na “Hong Kong Kung Fu Association competition”. Eu estava confiante nas minhas capacidades e muito orgulhoso de mim mesmo.
Em junho de 1979 eu deixei Hong Kong e fui para o Brasil e começei a ensinar Kung Fu lá. Eu ensinei Hong Quan, Tai Ji Quan e Wing Chun.
Não demorou muito para me tornar um instrutor estabelecido. Além disso, eu continuei a minha própria aprendizagem.
Meu maior problema foi contra chutes. Pugilistas tailandeses são bem conhecidos por seus chutes violentos e paralizantes. Sem um treino especial para fortalecer as minhas pernas, eu não iria poder nem levantar se um Thai Boxer desse algum chute em qualquer parte das minhas pernas, naquele momento, eu senti a necessidade de aprender Thai Boxe porque Wing Chun mal tinha chutes ou o treinamento para fortalecer os membros inferiores. Mais tarde fui perceber como foi errado pensar desta forma.
Oyama Karate era bastante popular no Brasil, e assim como os praticantes de outros sistemas de artes marciais e estilos de Kung Fu, eles tiveram que aprender chutes de Muay Thai para poder ter alguma chance contra Thai Boxers. Eu aprendi as tecnicas de um praticante de Oyama Karate que veio a mim para estudar Wing Chun.
Durante os próximos cinco anos, eu pratiquei até poderquebrar uma madeira dois-por-quatro com as minhas canelas. Eu poderia suportar qualquer chute nas pernas, de qualquer estilo ou sistema, fiquei extraordinariamente orgulhoso dessa minha realização, eu sentia que poucos praticantes de Wing Chun poderiam se igualar a mim.
Em 1993, a crise financeira no Brasil me obrigou a deixar São Paulo e ir para Nova York. durante os próximos anos eu tive uma clínica de medicina tradicional chinesa lá, e o meu negócio floresceu.
Naquele ano, fui convidado para fazer uma demonstrar no
Campeonato Mundial de Kung Fu em São Francisco. O que poderia ser mais gratificante para o meu ego do que poder mostrar as proezas dos meus chutes diante do mundo? diantes de um grande público e com a cobertura completa da televisão, com meus assistente segurando firme um taco de beisebol perpendicular ao chão, com um único chute eu quebrei ele ao meio com a minha canela esquerda, nada mal para habilidades com chutes.
No entanto, havia uma pessoa que eu respeitava que não se
impressionava nem com minha proesa e nem meu kung fu - o meu irmão mais velho de Albert. Ele sugeriu que eu fosse me encontrar com um velho amigo dele na Virgínia.
Durante anos ele foi me contando sobre Duncan Leung e
sua magistral habilidade de arte marcial, francamente, eu já estava cansado de ouvir sobre esse cara, e se ele for da sétima geração de Wing Chun? Eu tinha aprendido não com  um, mas com quatro especialistas da sétima geração. O que mais alguém poderia me ensinar? Finalmente, desgastado pelo meu irmão persistência, mas muito cético, eu viajei com ele com uma certa relutância pra Virginia Beach, um balneario na costa da Virginia.
Fomos convidados a nos hospedar na casa de Duncan. No dia seguinte após a nossa chegada, eu acompanhei Duncan não a sua academia de Kung Fu, que era o objeto de minha visita, mas ao seu escritório, pendurado em torno das 9:00 da manhã até 5:30 da tarde. Sempre que eu mencionava Wing Chun, ele mudava de assunto, fiquei muito chateado, afinal, eu fiz todo o caminho de Nova York, pensando em artes marciais, e aqui ele não quer sequer discutir o assunto.
Duncan percebeu minha frustração. "O que você quer", ele
perguntou.
"Meu irmão me disse que você é um especialista em Wing Chun, e eu quero ver o que você sabe.”
Duncan não parecia muito interessado.
"O que você aprendeu?"
"Eu aprendi tudo, boneco de madeira,facas duplas e bastão longo".
"Você aprendeu tudo. Não há nada mais que eu possa te ensinar. "
"Por que não fazemos um Chi Sau?" Eu o desafiei.
Chi Sau ( ) é um exercício único do Wing Chun, em que
os praticantes melhoraram a sua sensibilidade em contato com um oponente.
O aspecto mais importante do treino de Chi Sau é cobrir as áreas expostas. Este é um grave equívoco, mesmo entre muitos instrutores de Wing Chun.
Eu tinha orgulho do meu Chi Sau. Eu ainda não tinha
encontrar outro praticante de Wing Chun que pudesse me supera-lo. Duncan podia ver como eu estava ansioso para exibir a minha habilidade em Chi Sau, e ele decidiu me dar a oportunidade de mostrar.
Ele se levantou de sua cadeira. Caminhou à frente de
sua mesa, e me chamou para levantar também, eu levantei
da minha cadeira e caminhei para a frente de sua mesa.
Assim que nossos braços se entrelaçaram, eu sabia que seria derrotado.

O antebraço dele se agarrado ao meu como serpentes entrelaçadas!
Em vão eu puxei e empurrei, sentindo nada!
Onde estava a minha percepção sensorial? Duncan olhou como se ele estivesse em transe havia um sofá atrás de mim no
escritório, e sempre que eu tentava puxar empurrar, eu era vergonhosamente jogado de volta para o sofá.
Duncan traiu nenhum sentimento de triunfo, de fato,Ele parecia completamente indiferente, exceto que deve ter sentido pena para dos meus alunos ao Brasil!
Será que ser jogado no sofá três vezes seria suficiente para me convencer que eu tinha encontrado meu mestre? Ainda não - Eu era teimoso.
Eu ainda tinha poderosos chutes no meu arsenal de truques.
"Duncan, seu Chi Sao é surpreendente, agora eu sei o que realmente é Chi Sao. "
"Esquece, estou certo de que existem outros caras melhores do que eu. "
"Eu sei que Wing Chun não tem quase chutes, você pode parar meus
chutes? "
"Você está certo, no Wing Chun não tem praticamente nenhum chute, os pés não são para chutar, eles são para quebrar. "
"O que você quer dizer?"
"Uma das técnicas mais difíceis do Wing Chun é dominar as habilidades de chutes. os chutes de Wing Chun são poderosos e eles quebram as pernas do oponente. "
"Eu não acredito nisso. Tente me mostrar”. Eu deveria ter percebido que estava arrumando problema, mas eu tive que mostrar a proeza dos meus chutes.
"Eu só te digo que vou quebrar sua perna, se você tentar me chutar. "
"De jeito nenhum!" Minhas pernas eram a minha obra-mestra. Elas quebravam bastões de beisebol.

Mudei para a postura de combate, enquanto Duncan só ficou
calmo com os braços atrás das costas (tal como testemunhou seu Sifu fazer em Hong Kong em 1955,  diante de um disafiante - ver Capítulo 12). no momento que eu balancei meu poderoso pé esquerdo para ele, o pé direito dele já estava lá para atender o interior do meu joelho esquerdo! Ele apenas o tocou, e eu perdi o equilibrio. Eu sabia que ele poderia facilmente ter quebrado.
"Eu quero que você seja meu Sifu, por favor, aceite-me ", eu humildemente supliquei.
"De jeito nenhum. Eu não posso aceitá-lo "
Eu sabia que era por causa da minha arrogância que ele tinha endurecido comigo,  eu comecei a implorar para Duncan, mas a sua resposta ainda era negativa.
"Enfim, você mora muito longe."
Nem meu irmão albert poderia mudar a mente de Duncan. Deixamos Virginia Beach e voltamos para Nova York, eu me sentia muito
pena de mim mesmo. Todos os anos de trabalho duro estudando Wing
Chun foram inúteis, o que eu aprendi? Duncan poderia quebrar meu joelho, forçando-me a ajoelhar-se diante dele e suplicar.
Talvez então ele me aceitou de simpatia.
Eu ponderei as ultimas palavras de Duncan: "Você vive
muito longe ", e me perguntei se essa era a minha salvação. Era isso! Eu ia viver tão perto que ele não teria nenhuma desculpa para me recusar novamente.
Determinado, fui ver Ma Man Nam, primeiro duscípulo de Duncan (ver Capítulo 25), para pedir o seu conselho, ele me contou sobre a cerimônia Culto especial do Sifu (拜師儀式 - ver Capítulo 6) e me ensinou como preparar. Fechei a minha atividade médica,e com a bênção de Albert, eu deixei Nova York e fui para Virginia Beach.
Dois meses depois do nosso primeiro encontro, Duncan
abriu a porta de sua casa para me encontrar em pé
lá segurando duas malas.
Ele ficou chocado. Mas ele percebeu o tamanho da minha determinação e aceitou ao meu pedido. Após anos de pesquisa, eu
Finalmente encontrei o meu mestre.
A Cerimônia do Sifu (Bai Si)foi tradicional, tendo sido ensaiada por Ma Man Nam, eu comprei incenso, arroz, vinho, pequenas xícaras de porcelana, uma urna, porco assado, o bi shi tie () e o envelope vermelho (Hung Bao). Após as três ajoelha e nove reverências, me tornei um discípulo da Oitava geração, Duncan Leung se tornou meu Sifu.
Quando fui pela primeira vez em sua academia, vi
seus alunos e discípulos fazendo sparring entre si, e
Eu estava ansioso para participar, mas Sifu me disse que eu não tinha chance contra eles. Para satisfazer a minha curiosidade, ele pediu a um garoto de 15 anos de idade, fazer sparring comigo.
Sifu estava certo. Eu não aguentava o seu bombardeio, pois eu não sabia como cobrir, fiquei ainda mais desmoralizado
quando ele me contou que o menino treinava com ele por apenas nove meses! Mas ele me disse que após um ano de intenso treinamento eu deveria ser muito melhor, porque eu ja tinha base sólida.
Durante os próximos dois anos, trabalhei e aprendi com a orientação do Sifu, o treinamento foi realmente intenso.
Tudo o que ele ensinava era tão diferente do Wing Chun que eu tinha aprendido antes, eu estava aprendendo Applied Wing Chun.
no fim de 1994, voltei para o Brasil, e
pela primeira vez na minha vida, interiormente me senti como um
homem. Sifu não se limitou a me ensinar apenas auto-defesa dele
Eu desenvolvi verdadeira auto-confiança e auto-estima, em
fato, o credo de Duncan Leung Wing Chun Academy é Confiança, Defesa, estima.
E não surpreende o fato de que, assim como meu Sifu foi, eu também era ridicularizado por outros professores que disseram que o que eu estava ensinando não era Wing Chun, mas eu podia perdoar sua ignorância, pois eu já havia estado entre eles, até que a sorte me mostrou o erro dos meus caminhos.
KIAI Kung Fu Magazine foi o mais popular publicação de artes marciais na época, a revista pediu para me entrevistar, e esta entrevista iria mudar minha vida.
Os temas abordados eram Kung Fu tradicional, medicina chinesa - o que inclui a arte do diagnóstico,acupuntura e ervas medicinais - e filosofia oriental. Durante a entrevista, eu também
Lancei um desafio aberto aos praticantes de Kung Fu e artistas marciais, especialmente os céticos de Wing Chun.
A entrevista chamou a atenção dos administradores da UNEB, Universidade do Estado da Bahia, que então me convidou para ensinar Applied Wing Chun nessa instituição. Mais tarde, eu iria trabalhar com a universidade na pesquisa de medicamentos fitoterápicos. Em 1996, fui convidado para a cadeira de professor titular em chinês, Medicina tradicional e Estudos Orientais, desde então, eu venho ensinando acupuntura, ervas medicinais, massagem, Qi Gong (气功) e Estudos Orientais na UNEB, na Bahia e filiais da Universidade de São Paulo e Rio de Janeiro.
Meus alunos foram vencedores em 1996 do campeonato mundial de Wushu em Zhengzhou (鄭州), Província de Henan (河南省)China, e em 1998 no campeonato mundial de Guoshu em Taipei.
Atualmente, atuo como Consultor e Instrutor Chefe para
Federação de Kung Fu do Brasil, e Diretor e instrutor do Comitê de Wushu Olímpico do Chile.
Eu continuo visitando meu Sifu e aprendendo com ele sempre que possível, geralmente no verão, agora eu percebo que ainda há muito o que aprender com ele, e eu só desejo ter tempo para estudar mais.
Como prova da minha estima por Sifu, eu ensino Applied Wing
Chun. Se eu tiver que usar uma palavra para descrever o meu Sifu de Applied Wing Chun, ela é: incomensurável!

Professor Li não tem vergonha de admitir a verdade - ele
Perdeu décadas aprendendo, praticando e ostentando conhecimento de artes marciais que simplesmente não funcionam quando
vem a aplicação prática, agora, ele confessa livremente
que era um 'sapo no poço admirando seu próprio coaxar.
Teve a sorte de ter finalmente encontrado um verdadeiro
mestre - em sua opinião um indiscutível gênio do Wing Chun
gênio.
Professor Li espera que sua história sirva de exemplo para prevenir outros sapos. Ele se considera sortudo de ter perdido apenas 28 anos de sua vida!um dia se descobre, como ele fez, que "o céu é muito maior do que a boca do poço, e um coaxar é audível apenas a si mesmo ".




terça-feira, 14 de dezembro de 2010

LIVRO WING CHUN - A Arte Marcial Treinada por Bruce Lee





O livro WING CHUN KUNG FU - A Arte Marcial Praticada por Bruce Lee, de Sifu Marcos Abreu está sendo relançada em todo o Brasil pela editora Escala. É a quarta edição da obra que é sucesso de vendas e foi lançada também em Portugal e Espanha.

Com texto de Sifu Marcos de abreu, co-autoria de Mestre Alberto França Gomes, prefácio de José Augusto Maciel Torres e participação especial de Mestre Li Hon Ki, o livro, embora seja uma obra para leigos, teve o diferencial inédito de romper com o discurso de "arte marcial absoluta", que "resolve tudo em segundos" e que seria "melhor" que outros estilos de Kung Fu.

O livro situa o Wing Chun de acordo com a sua especifidade na luta, repertório técnico e o coloca dentro do contexto das demais artes marciais. Pela primeira vez no Brasil um livro de grande tiragem aborda o Wing Chun sem proselitismo e explica a filosofia de vida e de luta de forma prática, descomplicada e totalmente acessível aos não-iniciados nas tradições orientais. 

Abraço e boa leitura!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Duncan Leung e Yip Man

Partes do capitulo 10 do livro Wing Chun Warrior que fala sobre a relação do jovem Duncan e  Old man, com diálogos muito interessantes, espero que gostem. 
deixem comentários;


tradução: Douglas Ferreira


Wing Chun Warrior - Chapter 10 - Yip Man And I (parts)


Uma competição entre Wong Shen-Leung (黄淳梁 Huang Chun-Liang), representando o Wing Chun e um outro jovem, Ni Wo-tang (倪沃棠), representando o estilo "Garça Branca" (White Crane), que aconteceu em uma típica plataforma cercada por cordas. Quando o apito foi assoprado, Huang chutou primeiro, ele então seguiu com uma seqüência de socos, alguns dos quais ele acertou, Ni foi dando socos em Huang e foi sendo perseguido em torno do ring, o sangue escorria do nariz de Ni, mas Huang estava esgotada e cansado de persegui-lo. Finalmente, o árbitro parou o combate, declarando que a luta teve um empate, pois ambos os adversários tinham sangrado e foram feridos.
Foi um anticlímax para a luta mais divulgada na colônia.
Espectadores dispersos em decepção. A luta em si não impressionou ninguém, incluindo eu.

A imprensa aproveitou o evento, Reclamações e reconvenção foram publicadas. A competição, que deveria ter terminado em um empate, continuou nos jornais, Como resultado, surgiu uma certa inimizade entre Wing Chun e Garça Branca, que durou um longo tempo.
torneios não oficiais entre Wing Chun e outros estilos ocorriam com freqüência.
 Os resultados eram praticamente os mesmos - nunca havia claramente um vencedor e perdedor,basicamente, os adversários trocavam golpe e chutes.
 Os lutadores geralmente sangravam e tiravam sangue, ambos se feriam no final
da partida, os lutadores de Wing Chun sofriam também.
Depois de assistir a estes torneios, e vendo os resultados, tomei coragem e fui falar com Sifu.

"Sifu, eu quero sair do Wing Chun".
"Porquê?"
"É inútil".
"Seja paciente, em poucos anos você vai ser um bom
lutador, porque você tem talento. "
"Tenho acompanhado todas essas lutas. Meus irmãos mais velhos de Kung Fu têm aprendido e praticado todos estes anos e eles nunca vencem  as lutas de forma convincente. Eles podem vencer, mas eles são atingidos tantas vezes também. Se isto é todo o Wing Chun você vai me ensinar, eu estou parando. "
"Hung Chai, você quer lutar melhor?"
"Sim, Sifu.”
"Você tem dinheiro?"
"Sim." Eu respondi sem hesitar.
"Você pode pagar trezentos dólares por mês?"
"Eu posso pagar isso, mas por que eu deveria? "

Sifu então me mostrou algumas coisas e foi como se uma lâmpada tivesse sido acesa na minha cabeça. De repente, tudo fez sentido para mim, porque o que ele demonstrou foi tão lógico.
Mas Sifu ficou surpreso por uma criança poder na verdade entender.

Eu não tinha noção do que HK$300 representava. O que faria uma criança mimada de 13 anos de idade saber sobre o valor do dinheiro? Na verdade, trezentos dólares de Hong Kong por mês era um monte de dinheiro na epoca, mas eu não sabia até eu ficar mais velho. Essa era a época dos refugiados escapando por trás da cortina de bambu, muitos deles viviam em barracos nas colinas,eram inúmeros os mendigos, andarilhos e desabrigados. Ter qualquer tipo de trabalho era considerado sorte. Naquela epoca, uma amah (empregada domestica)que
limpava, lavava a roupa, cozinhava recebia apenas HK $ 30 por mês, um
motorista particular que dirigia e limapva o automóvel, recebiao HK $ 80 por mês. Mesmo as escolas de empregados licenciados pelo Governo pagavam somente HK $ 180 por mês!

Cada um dos alunos regulares de Yip Man pagavam HK$8 por mês para aprender com ele. Perguntei ao Sifu o que ele ia me ensinar. Ele me contou sobre o soco de colisão (衝門搥) - como chutar, com força a partir da cintura e base. E o mais  importante, Sifu me explicou as teorias do Wing Chun de forma que fazia muito sentido para um menino de 13 anos como eu poder entender facilmente. Fiquei muito feliz quando eu fui para casa.

Eu mal podia esperar, e voltei a escola do Sifu no dia seguinte. Ele ficou surpreso por eu estar de volta tão cedo. E ele ficou ainda mais surpreso que eu fui com o dinheiro. Eu acho que ele olhou para mim como um presente dos céus. Não poderia haver qualquer dúvida de minha sinceridade e determinação.
E por trezentos dólares por mês, ele levaria tempo e teria a paciência para me explicar e entrar em detalhe e me certificar de ter aprendido.
Após o ritual de três ajoelhadas e nove reverências me tornei seu discípulo formal e começei a aprender Wing Chun Kung Fu de verdade. Sifu me ensinou e sempre me corrigiu.
Nós fomos para trás e para frente até que eu descobri a melhor maneira
da aplicação das técnicas.

Durante os próximos quatro anos, aprendi tudo sobre como aplicar Wing Chun. Eu era rápido em aprender e eu Mergulhei na prática, com média de seis horas por dia, eu esgotava ele, sendo muito agressivo sobre a aquisição de seus conhecimentos. Nossa relação foi além de Sifu discípulo, ele era como um pai para mim, eu acho que foi quase como uma experiência para ele - um desafio, como Eliza Doolittle foi para Henry Higgins no filme My Fair Lady. Mas a nossa união era estritamente artes marciais: nenhum de nós tinha qualquer interesse em discutir outros temas.

Sifu era um homem muito agradável. Ele não dizia não para qualquer um que lhe fizesse uma pergunta, relacionada ao Kung Fu ou não. Suas respostas, apesar de não serem necessariamente diretas, eram sempre positivas e encorajadoras.
Mesmo antes que eu comecei a estudar com ele, eu poderia não deixar de notar que vários alunos realizaram as mesmas técnicas de forma diferente. No entanto,  Sifu sempre dizia aos alunos que eles estavam corretos e que "apenas continue praticando". Assim, cada aluno passou a acreditar que o jeito que ele estava praticando era o caminho certo. Quando um aluno perguntava, ele sempre respondia com uma pergunta:
"Bem, o que você acha?" Não importava qual era a resposta, ele sempre dizia "Sim, você está certo. Excelente! "
ou
palavras com esse efeito. Eventualmente, houve contendas entre os estudantes de alto nível cujos movimentos e técnicas estavam corretos e eficazes, porque Sifu tinha dito a cada um que estavam certo.
"Sifu, como é que os mesmos movimentos e técnicas são realizados de forma diferente por cada um de nós? "
"Você é muito jovem para entender o porquê, direi quando ficar mais velho. "
Essa foi a resposta que eu tive naquele momento!


Ainda assim, os boatos circularam entre os alunos seniores que Yip Man retia na fonte de conhecimento de seus alunos para manter a sua superioridade. Se ele ensinasse tudo, então não haveria nenhuma diferença entre ele e seus alunos.
A palavra era que ele estava protegendo o seu sustento. Alguns de seus alunos  já haviam aberto escolas de Wing Chun a uma curta distância da sua, a concorrência era direta com ele. Ele cobrava oito dólares por mês, e alguns dos seus alunos estavam cobrando menos a disputa por alunos era feroz.
 Desde que Yip Man foi o Sifu de todos eles, aqueles que poderiam pagar oito dólares iriam estudar em sua escola, aqueles que poderia pagar menos iam para seus alunos. Oito dólares de Hong Kong foi considerado uma grande soma de dinheiro, então, quando trabalhava fazia cinquenta ou sessenta dólares por mês.

Uma vez perguntei ao Sifu: "Será que os alunos seniores aprenderam tudo de você?" Ele encolheu os ombros e respondeu:" Eles já dão aulas, e têm suas próprias escolas, eles não precisam mais vir até a mim. "

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O que Yip Man me ensinou sobre velocidade


 Por : Duncan Leung

Recentemente, um conhecido me deu uma cópia do Qigong / Kungfu Magazine, a edição de março de 1999, que incluiu um artigo escrito pelo Mestre Ron Heimberger. Meu amigo não entendeu muito bem os princípios que o Mestre Heimberger estava tentando elucidar. Por causa da minha experiência como aluno privado de Yip Man, e meu envolvimento subsequente em Wing Chun Kung Fu, ele pensou que eu poderia ser capaz de lançar alguma luz sobre o assunto. Peço a indulgência do leitor para a minha tentativa de explicar o que Yip Man me ensinou.

Como o meu Inglês não é muito bom, eu li o artigo várias vezes. Fico feliz que o Mestre Heimberger seja gentil o suficiente para tomar seu  tempo para educar o público. Se todos os instrutores de Wing Chun possuissem uma mente aberta como a dele, receptivo à razão, e estivessem dispostos a ter o trabalho de explicar suas idéias e experiências para os outros, tenho a certeza que iria beneficiar a todos os interessados na arte. No entanto, existem algumas partes no artigo do Mestre Heimberger com a qual eu não concordo. Alguns pontos que o autor faz, são um tanto obscuros para mim, especialmente suas referências a Jacob Bronowski e Albert Einstein. Por exemplo, Mestre Heimberger menciona que Bronowski - comentando sobre a Segunda Lei de Newton - disse que a força é igual a massa multiplicada pela aceleração ao quadrado. Isso me confunde, porque, como eu o entendo, a segunda Lei de Newton afirma que  F = m.a, e não multiplicada pela aceleração ao quadrado.
 
Como o Sr. Heimberger discute velocidade no Wing Chun, gostaria de tomar a liberdade de partilhar a minha interpretação dos princípios e teorias sobre a velocidade com base no que Sifu Yip Man me ensinou e na minha própria experiência. Naturalmente, o que eu escrevo aqui é filtrado através das minhas próprias percepções e preconceitos, eu certamente não tênho a pretensão de falar para a família Wing Chun, e gostaria de receber a correção que é oferecido. Isso certamente iria me ajudar a melhorar. A minha esperança é que muitos adeptos do  Wing Chun irão compartilhar suas idéias com todos nós, não importa o que eles aprenderam. A experiência de usar as técnicas de Wing Chun no combate é o que conta. Afinal, nenhuma única luta é a mesma. Nós podemos sempre aprender algo novo, ou - ganhar ou perder - descobrir algo de cada encontro.

O que faz o estilo Wing Chun tão interessante é que a pessoa não tem que confiar na constituição física, mas em uma seqüência lógica de movimentos econômicos. Certamente, a velocidade é extremamente importante na luta. Entretanto, não importa o quão difícil se treina, há quanto tempo trabalha para melhorar, há sempre as limitações físicas. Você sempre pode encontrar alguém mais rápido do que você. Algumas pessoas simplesmente nasceram com mais talento. O Wing Chun permite uma possibilidade de superar a velocidade inerente de um adversário superior, aplicando os princípios da arte. Yip Man ensinou que no Wing Chun, há vários tipos de velocidade. Se você não consegue superar o seu adversário com um tipo de velocidade, você pode vencê-lo com outro. Em outras palavras, se você pode aplicar as teorias de velocidade do Wing Chun, você pode realmente se tornar mais rápido. A este respeito, há quatro áreas de interesse:

1. VELOCIDADE DE TRAVESSIA:
 Este é o tipo de velocidade que normalmente se referem, ou seja, um soco ou chute, a velocidade que a velocidade pode ser calculada em metros por segundo. Com a prática constante, haverá uma gradual melhora na velocidade do movimento.
2. VELOCIDADE DE DISTÂNCIA: a teoria da linha reta do Wing simplesmente afirma que uma linha reta entre dois pontos é a distância mais curta. Portanto, perfurando em linha reta é mais curto e mais rápido do que um soco gancho ou um swing. Para trazer seu pé com um chute na cabeça cobre uma distância superior a um soco curto e mais rápido para a cabeça. É o mesmo que tentar dar um soco na a canela, ou seja, é muito mais curto e mais rápido para chutar a canela. Para usar uma analogia: se você e eu ficarmos na frente de um prédio e fazer uma corrida até a porta traseira e você ir ao redor do edifício, enquanto eu vou direto pela construção da porta da frente para a porta de trás, você pode ser o corredor mais rápido, mas eu posso chegar lá antes de você, porque eu tenho menos distância a percorrer.
3. VELOCIDADE DE LEITURA: Em uma posição de repouso, quando se tenta dar um soco pesado ou tenta chutar com força, é típico erguer para trás a perna ou o braço antes de executar o movimento. Isto não só telégrafa os movimentos, mas também desperdiça um tempo precioso em um movimento extra. No Wing Chun, o poder não é gerado apenas pelo movimento da mão ou na perna, por isso não há necessidade de erguer para tomar distancia. No corpo, um lado usa o outro para puxar de volta, girando para empurrar o soco ou chute simultaneamente. Por exemplo, se alguém vai dar um soco esquerdo, um poder inicia puxando o braço direito e ombro para trás tão rápido quanto pode, e ao mesmo tempo soca com a mão esquerda.
4. VELOCIDADE DE REAÇÃO: Em geral, as pessoas passam mais o seutempo praticando suas técnicas e suas formas sozinhas, até que eles são muito bons com todas as técnicas, mas no combate real a aplicação é ineficaz. Isso é como aprender a andar de bicicleta, sentando em uma cadeira movendo as as pernas e os braços simulando a experiência de bicicleta. Quando essa pessoa realmente tenta andar na bicicleta, certamente irá cair. Isso ocorre porque os reflexos adequados e sensação de equilíbrio não foram desenvolvidos. Ip Man costumava dizer que se você quer aprender a nadar, vá até a água, não apenas moa seus braços e pernas e pense que você é um nadador. Uma luta requer pelo menos duas pessoas. Você pode treinar e lutar com você mesmo durante todo o dia, mas se você não aplicar as técnicas com outra pessoa, você não irá muito longe.
O Wing Chun possui apenas três formas, depois de aprender e compreender a primeira forma, treine com  Chi Sau, que exige duas pessoas, é apartir do qual se desenvolve o sentimento de contato e reflexo. Depois, há os exercícios das técnicas que também exigem duas pessoas, quanto mais você trabalha com os exercícios, mês a mês, se tornam hábitos de natureza, em segundo lugar, quando um ataque vem você vai reagir a ele sem pensar. Uma luta acontece tão rápido, e você pode ficar irritado, zangado, despreparado ou até mesmo com medo, não há tempo para pensar.
Essas são as teorias do Wing Chun sobre velocidade que eu aprendi de Yip Man.

SiFu Duncan Leung




Texto sobre velocidade traduzido a partir do texto publicado na homepage de Duncan Leung